7.7.08
A maior metamorfose de todos os tempos
(ou como se deperdiçam, à frente de todos, os dinheiros públicos na minha autarquia...)


Estava anunciada por aí. Acho que até na televisão. Seria a maior metamorfose de todos os tempos!


















É certo que o artista não tinha revelado pormenores, mas corria nas bocas do Mundo (pelo menos nas bocas dos arredores da minha parvónia...) que Luis de Matos iria fazer desaparecer o Mosteiro de Alcobaça!!!

A notícia foi-se espalhando e o povo, vindo de todos os cantos, afluiu à cidade em grande número. Eu não quis faltar, claro!
Depois de quase desesperarmos por um buraquinho onde colocar o veículo, deslocámo-nos a passos largos ate ao Mosteiro, onde se ouviam já sinais de que algo de grandioso estava prestes a passar-se.
A emoção pairava no ar. Comentava-se, entre os caminhantes apressados, se ainda se conseguiria chegar a tempo do grande momento. Entre esse grupo em debandada, nós, e todos os que, como nós, tiveram de deixar o carro na outra ponta da cidade, pois, portugueses típicos, apenas fomos para lá mesmo em cima da hora.
Alguns – dizia-se – tal era o medo de perderem o espectáculo, foram marcar presença bem cedo. Alguns diziam que até tinham deixado coisas por fazer. Falava-se dos que tinham ficado em casa, com pena de não ir. Entre os milhares de indivíduos em marcha, encontrava-se de tudo.
Afinal de contas, seria a grande metamorfose!


Estavam também presentes algumas excelências municipais – que eu não reconheci pelas faces mas pelo lugar privilegiado que ocupavam junto a porta.
Todos de olhos postos no Mosteiro.
Eu ainda comentei que seria uma bela magia se ele conseguisse fazer aparecer ali um jardinzito, mas pronto, se fizesse desaparecer o Mosteiro por um bocadinho – desde que depois o devolvesse – também não me parecia mal.
O grandioso espectáculo tinha hora marcada. Parece que já estaria marcada há um ano atrás – ouvi dizer. Às 22h13.
Com uma pontualidade invejável, o digníssimo visitante começou com um belo discurso onde preparava o referido número que se iria suceder.
E foi assim que, alguns minutos depois, o nosso amigo Luis de Matos estava preso pelos pés, com uma camisa-de-forças, com uma corda em chamas, e a uma altura que ouvir dizer que seria de 49 metros (e que me leva a questionar por que razão não se elevaria o senhor a 50 metros! Pelo menos sempre era um número mais redondo e a queda – caso se verificasse – não deveria ser muito diferente!).


























Mas adiante. Pois que, depois de cerca de 15 minutos de preparação, o senhor está lá em cima e em menos de 3 minutos se põe, são e salvo, cá em baixo. Não seriam ainda 22h45.
Foi nesse momento que começou a música!!! Sim, uma daquelas músicas épicas, a lembrar conquistas dos Descobrimentos ou medalhas de Jogos Olímpicos.
O artista correu as escadarias a pedir aplausos que, apesar da grande multidão, mal se ouviam, tal era o volume da música.

E depois??? Bem, depois nunca mais ninguém o viu…
- Seria só isto, perguntava o povo incrédulo?

- Quando é que ia mesmo começar o grande espectáculo de magia anunciado?
- Será que ainda vai haver fogo de artificio?

- Era isto a grande metamorfose?
- Será que isto e só uma manobra de diversão e é agora que vai desaparecer o Mosteiro?

- Não vai desaparecer nem uma torrezita?

A resposta foi chegando enquanto se desligaram os holofotes, mantendo-se a música altíssima, o que mereceu umas valentes assobiadelas da população em fúria.
Lentamente fomos dispersando...
A desilusão. Pior, dizia alguém a meu lado, só mesmo termos perdido o Euro.
Tínhamos todos caído que nem galinhas – que isto de serem sempre os patos a cair também não me parece nada bem.
Qual Cristiano Ronaldo, qual quê! Parece me que tendo em conta os lucros (cujos valores não conheço mas, ao que parece, vêm apresentados claramente no jornal cá do sítio e dos quais se dizia, por lá, que eram para cima de exorbitantes) conseguidos em cerca de 20 minutos – dos quais, três quartos foram para amarrar o senhor e elevar a grua – está decido: vou deixar o ensino e vou dedicar me à magia! Ou melhor, à ginástica! Que o espectáculo, de magia, não teve rigorosamente nada…


Temos de ver o lado positivo das coisas.
O espectáculo foi bom. Pelo menos para os donos dos cafés que nunca deviam ter visto tanta gente na cidade a um Domingo a noite. E, definitivamente, deve ter sido bom para o operador da grua.
Bem, e é certo que ainda se encontraram uns conhecidos e trocaram-se meia dúzia de palavras. E sempre deu para esticar as pernas depois de jantar...
E tenho de reconhecer que, apesar de não ser magia, o senhor fez uma coisa que pouca gente na assistência conseguiria. Temos de reconhecer-lhe o mérito.
E quanto ao tempo do espectáculo... não anda toda a gente a procurar fazer tudo melhor e mais depressa?
Agora que penso nisso, atrevo-me a dizer que o balanço foi, defitivamente, muito positivo! Diria mesmo, a repetir.

 
Marina 02:41
6.7.08
Ontem foi o primeiro dia...
...da minha época balnear 2008!















E que belo começo! ;-)

A assinatura na foto é só para esclarecer que este não é um bocadinho de céu qualquer:é a autenticação de que se trata do céu da tarde de 05 de Julho na Foz do Arelho! Azulinho de fazer inveja!



Boa semana!

 
Marina 18:49
30.6.08
Marina escaldada...
















[imagem roubada algures...]

Já tinha ouvido dizer que, ao longo da nossa vida, perdemos (em média) cerca de 20 kg de pele.
Em virtude da confiança que ponho em tantos desses estudos altamente científicos que ouço no rádio do carro ou recebo através de emails reencaminhados, tenho de admitir que nunca dei muita importância a semelhante facto.
Contudo, a minha opinião mudou drasticamente desde ha uma semana atrás.
Pois eis que, consequência de horas múltiplas de festa de final de ano da escola associadas à ausência de protector solar (o meu cérebro estava activado em modo trabalho, pelo que não identificou a necessidade de utilizar semelhante creme...), a parte superior das minhas costas ficou a fazer lembrar o equipamento do Benfica de outros tempos - em que ainda era vermelho vivo...
Agora, já numa tonalidade mais outonal, pareço uma cobra em altura de mudança de pele, e vou largando pele às toneladas - tenho cá p'ra mim que já excedi largamente os 20 kg previstos para toda a minha vida! Isto apesar de a senhora da farmácia me jurar a pés juntos que utilizando aquele creme caríssimo (que eu acabei por comprar...) não iria perder um único centímetro de pele!
Resumindo a história: tenho a pele a cair e uma comichão que não pára... Já para não falar do desenho da t-shirt nas minhas costas, ombros e braços que me dá um ar fantástico assim que eu coloco uma roupa com um bocadinho menos tecido! Enfim, um verdadeiro drama...

Ainda se tivesse apanhado um escaldão à custa de um belo dia de praia!
É que este ano ainda nem senti os salpicos do mar...

Boa semana para quem passar por aqui!
 
Marina 01:40
15.6.08
2
No sofá, já velho, sinto as covinhas que me aconchegam.
Como se cada ruga de tecido estivesse especialmente preparada para mim.
Em frente, o relógio continua com as horas trocadas.
Há coisas que nunca mudam! - penso eu enquanto procuro detectar pequenas alterações na disposição do armário.
Mesmo assim, com as horas erradas e sem condizer com a decoração, é útil para segurar os livros...
Nos meus devaneios, penso na vizinha que parece ter colocado mais plantas no corredor.
Tenho de admitir que sinto a falta do corredor estreito, cheio de plantas, que na altura tanto me irritavam.
É definitivamente melhor um prédio sem elevador: é nas escadas que os vizinhos conversam e se vão conhecendo. E subir escadas é sempre um bom exercício de ginástica!
Por momentos, decido fazer uma paragem na minha viagem de retrospecção.
Levanto-me do sofá e vou até à varanda.


Estava quente o chão. A lembrança do calor nos pés faz-me sorrir.
Lembro-me do calor de outros Verões e de outros lugares...
Ha qualquer coisa que me doi nessas lembranças...
Que ao mesmo tempo me faz sorrir mas me aperta o coração.
Fecho os olhos...

Da janela vejo a cidade.
Como continua bonita a Lua, vista da varanda virada para este!
Talvez amanhã o tempo esteja bom para um passeio. Ou para a praia, talvez.
Será um longo dia, seria melhor ir dormir…

Sabe tão bem estar em casa...



Não posso dizer que foi aqui que tudo começou: este meu cantinho existiu na minha cabeça muito antes! Mas foi aqui, há 2 anos atrás, que ganhou forma.

Dois anos cheios de tudo o que de bom e menos bom a vida me foi trazendo.
E que se foi tranformando em imagens, sons e palavras.
Sobretudo as palavras...




A música? Só poderia ser esta. A primeira.
Para me lembrar de outros tempos, que trazem saudades...
Há 2 anos (e 180º) atrás...

Bom Fim-de-semana!
 
Marina 02:31
8.6.08
Que (te) importa...

















Que importa saber se não se faz?
Que importa fazer se não se quer?
Que importa querer se não se diz?
Que importa dizer se não se sente?


Que (te) importa?


Às vezes, nada (me) importa...
 
Marina 03:12
2.6.08
As sombras

























Cá dentro, o vazio. Por vezes cheio de tanto que não se vê.
Cá dentro, o medo. Do tanto que não se vê mas se sente.
Cá dentro, o frio. Que gela cada vontade.
Cá dentro, a dor. De não entender um Mundo preenchido de ausências.
Cá dentro a noite. Que adormece cada pedaço de ser.
Cá dentro, as sombras. Cá dentro, sempre as sombras…


Onde estás tu, raio de luz?
Abre a porta, que o olhar não pode ver mais além...

Cá dentro sempre as sombras.
Lá fora, também as sombras...
Apenas sombras...



Serão as sombras eternas?


Vem...
 
Marina 02:30
24.5.08
Que queres ser quando fores grande?
















Eu estava na biblioteca da escola, a trabalhar, como faço tantas vezes.
Ela entrou e, como tantas outras vezes, chegou-se à minha mesa para conversar um pouco.
No meio das conversas, sobre tudo e sobre nada, perguntei-lhe:


- Que queres mesmo ser quando fores grande?


E ela responde-me, com toda a sabedoria dos seus treze anos:


-Oh professora! Eu ainda estou naquela idade em que quero ser todas as coisas!



E eu, sorri!
Ao mesmo tempo surpreendida e orgulhosa com a resposta.
Tanto que ela já tinha percebido!



Bom fim-de-semana!
 
Marina 17:46
17.5.08
Magia!


















Era uma vez...
Era uma vez um tempo em que existiam Mágicos e Feiticeiros.
E Bruxas, e Fadas, e Duendes.
Mas só se faziam feitiços para tornar o Mundo melhor.
E a vida era como nos livros de histórias!
[Sabes, daqueles que nos liam quando éramos pequenos?]

Era uma vez...
Era uma vez Reis e Rainhas.
E reinos imaginados.
Com castelos e palácios. Com jardins imperiais.
[Para brincar às escondidas! Um, dois, três… Aqui vou eu!]
Há Gigantes e Anões. E casas de chocolate.
E era assim uma vez, em que tudo era possível!

Era depois outra vez...
[Que as histórias são muitas, cada uma no seu tempo!]
Era uma vez Dragões e Cavaleiros.
E tesouros! Escondidos bem no fundo de cavernas.
E às vezes havia lutas - em que ganhavam sempre os bons.
Os maus tornavam-se bons, e ganhavam outras vezes!
E os tesouros preciosos eram invisíveis aos olhos.
[Alguns não queriam ver...]

Era uma vez...
Era uma vez Princesas e Príncipes encantados.
As Princesas tinham belos vestidos.
E os Príncipes tinham belos cavalos, tão velozes como o vento.
E os Príncipes e as Princesas apaixonavam-se de verdade.
E todos os finais eram felizes!



Era uma vez...


...


É esta vez!
Fecho os olhos num momento...
E a magia acontece!

A cada dia, em cada um.
Em cada história. Nossa.


Foi...desta vez!


Bom fim-de-semana para todos! =)

 
Marina 01:19
11.5.08
Camuflagem


















Será esta camuflagem, com que tentamos disfarçar o que somos, que tantas vezes nos torna quase invisíveis?
...
 
Marina 01:43
6.5.08
Rebentar

























A terra é árida e, às vezes, faltam-nos as forças...
Trazemos connosco as marcas de tantas lutas que já travámos.
Memórias de tantos dias em que até nos esquecemos de nós.
O cansaço foi-nos embalando e adormecendo...
Silenciando os nossos gritos.
Que, aprisionados, ecoaram repetidamente dentro de nós...

Mas é urgente recomeçar!
Agarrar no mais fundo de nós e trazê-lo à luz do dia!
Lançar as raízes no mais fundo da terra e crescer na direcção do Sol.
É preciso ganhar coragem e REBENTAR!!!

E pode ser que, um dia, do rebento frágil, consiga rebentar uma flor.
E, nesse dia, tudo terá valido a pena.





PS: Obrigada às meninas de sábias opiniões!
E claro, como não podia deixar de ser, ao meu estimado primo! ;-)
[Obrigada, G., por partilhares comigo a paixão pela música, a companhia para as fotografias e por me deixares atirar-te ao chão de vez em quando! Mas com carinho! eh eh]
 
Marina 01:27
2.5.08
Não me importo...
Ora, e lá fui eu desafiada pela IC para vir aqui, a este cantinho internético, falar sobre as coisas que não me importam. E logo seis coisas!!!
Confesso, desde já, que foi uma tarefa árdua (principalmente para um feriado, em que os neurónios estão ainda mais preguiçosos!).
É que, se por um lado é complicado falar sobre coisas que nos importam, referir as que não nos importam é ainda mais difícil - tal é a pouca importância que lhes damos, que nem nos lembramos delas.
Mas, depois de algum esforço mental, eis o que consegui concluir:

- Não me importo de não ter um grande carro.
O meu cliozito voador (como eu lhe chamo carinhosamente!) até pode não ter tampões e ter a antena partida mas, até ao dia de hoje, nunca me deixou ficar mal! =)

- Também não me importo de não ainda não ter ganho nenhum concurso.
Aliás, é por isso que não concorro! E depois, se ganhasse, onde é que guardava os prémios?


- Não me importo mesmo nada por não ver muita televisão.
Aprende-se lá tão pouco que cada vez mais acho que é uma perda de tempo...

- Confesso que não me importo (aliás, acho que já faz parte de mim!) de me perder!
Enquanto existirem placas nas estradas, gasolina no depósito e, eventualmente, um cartão com dinheiro para comprar mais combustível... p'rá frente é que é o caminho! ;-)

- E gostava de me importar mais mas não consigo, com o facto de demorar muito tempo a concluir as coisas e deixar tudo para a última hora.
Eu não sou lenta, eu tenho é muita calma a fazer as coisas! eh eh

- E se há coisa que não me importo mesmo nada é de apenas conseguir encontrar 5 coisas que não me importam.
Que eu cá, não me importo de dar o meu contributo para aldrabar as regras de correntes de e_mails e desafios na blogosfera!
Bem, afinal com esta, já são 6! =)

E como manda a lei, tenho de nomear 6 seguidores.
Após alguma reflexão, decidi atribuir a tarefa às seguintes meninas: Andreia, Carraça, Nês, Susana, Angélica e Saroquinhas.
Tratem lá de resolver este assunto e livrem-se de dizer que não se importam!

Agora, tenho de me retirar do Mundo dos Blogs e ir tratar daquilo que realmente me importa a mim...

E já agora, um bom fim-de-semana para todos aqueles que, apesar das minhas ausências, ainda continuam a visitar o meu cantinho! =)

Até breve!
 
Marina 02:14
27.4.08
O nosso lado de dentro










Passamos o tempo de olhos postos no céu.
A tentar deseperadamente subir para chegar à altura das nuvens.
Esquecendo-nos que, de cima, se vê, somente, o lado de fora.
Por muito esforço que façamos, apenas e sempre o lado de fora...
O lado de fora das coisas, o lado de fora dos outros, tantas vezes (sempre?) apenas o lado de fora de nós.
E continuamos sem perceber...
É que para compreender, mais importante que saber voar, é preciso aprender como descer ao interior.
Ter coragem para ver o lado de dentro, quase sempre mais perigoso e sombrio.
Percorrer e tactear as cavernas, onde encerrámos (há tempo de mais...) o que nos perturbava o sentir.
Virarmo-nos do avesso e procurar entender as linhas e os nós que não se vêem do lado de fora. Esses, principalmente!
Os nós que tecemos e que nos tecem. Os nós que vamos dando e que nos fazem sermos nós.

É estranho...
Parece tão fácil de entender, mas insistimos em olhar para cima.
 
Marina 02:49
14.4.08
[Silêncio]
O silêncio que mais dói é aquele que se faz com o olhar.





 
Marina 00:13
9.4.08
Contributo para o aumento da cultura científica na blogosfera

(porque nem só de poesia vive o Homem e muito menos uma professora de CFQ)

E a questão para hoje é: Como visualizar o DNA?



Material:
- 1 kiwi
- 100 ml de água destilada (água da torneira também funciona)
- 10 ml de detergente da louça
- 3 g de sal
- Álcool etílico (colocado previamente no congelador)
- 1 copo
- 1 triturador (eu utilizei a varinha mágica!)
- 1 faca
- 1 passador

(sugestão para fazer em casa: não ser muito rigoroso com as medidas!!!)


Procedimento
1 – Descascar o kiwi e cortá-lo em pequenos pedaços.
2 – Colocar os pedaços de kiwi num recipiente.
3 – Adicionar a água destilada, o detergente e o sal.
4 – Triturar o preparado.
5 – Filtrar o líquido para um copo. (Se necessário, transferir com cuidado para outro copo de modo a diminuir a quantidade de espuma)
6 – Adicionar, lentamente, o álcool etílico frio.

Et voilà!
(por favor, avisem-me se o acento estiver ao contrário que a esta hora já não consegui procurar como deve ser...)

Cá estão imensos filamentos brancos de DNA precipitados no copo! =)



















Coisas de uma professora de Ciências Físico-Químicas que anda a iniciar (por força das circunstâncias, mas com muito empenho e motivação!!!) caminhos na biologia!
 
Marina 02:00
31.3.08
Palavras soltas
Procuro escolher as palavras. Devagar...
Escrevo. Apago. Volto a escrever.
A cada avanço, tenho medo que as palavras signifiquem algo que eu não queira dizer.
E tenho ainda mais receio das outras palavras que, de tão cheias de mim, é melhor não serem ditas. Que as palavras cheias ficam mais pesadas. E, tantas vezes, magoam (me) mais…
Faço uma pausa. Volto a ler cada linha, mas o texto teima em não fazer sentido.
Cada palavra escrita lembra-me um porquê para o qual ainda procuro uma resposta…

Olho para trás. Para as pegadas que os meus passos deixaram no caminho.
Vejo em mim as cicatrizes de tantas quedas.

Penso como seria se não guardássemos as memórias...
Tenho medo do “para sempre” e do “nunca mais”. Que o infinito é demasiado grande…
Escrevo mais um pouco. Apago novamente.
Fecho os olhos. A cabeça vacila. As pernas também.
Dói-me o ar frio na cara enquanto vou caindo para o vazio.
Cheio de tudo o que o meu sentir não compreende…

Irei algum dia entender?


Das palavras escritas sobram apenas estes pedaços de sentir...
Fragmentos do que as minhas mãos não conseguiram sequer escrever.


 
Marina 01:57
28.3.08
(Quase) Deserto
























Eu só queria que o Mundo fosse um local menos inóspito...

Que isto de atravessar desertos, mesmo que eles existam só na nossa mente, não é tarefa fácil...
Diria mesmo que esses são os mais difíceis de percorrer.
Aqueles que se vão formando dentro de nós.


A água lá ao fundo? Apenas uma miragem...
 
Marina 03:50
26.3.08
Contínuo movimento

























Procuro conhecer os diferentes tons de azul no céu,
invisíveis na leveza de um primeiro olhar.
E vou tentando perceber as diferentes perspectivas de mim.
Na minha cabeça, com milhões de porquês para o Mundo,
sucedem-se imagens à velocidade da luz.
Tenho medo de cair para o vazio...
Ecoam gritos no meu cérebro.
Nenhum som sai dos meus lábios.
Medo, que paralisa o meu sentir.
Na loucura da velocidade a que viajam os meus pensamentos, não me encontro...
É o princípio da incerteza.
 
Marina 02:29
21.3.08
Sinceridade
Apesar de tantas vezes me terem avisado, insisti em acreditar na sinceridade das pessoas.
Costumo dizer o que penso, não costumo esconder o que vou sentindo.
Sempre acreditei na transparência. Na minha e na dos outros.

Uma opção. A minha escolha. O meu erro...

Sempre achei que o Mundo seria melhor se nos conhecêssemos como verdadeiramente somos.

Não serão as acções sinceras mais fáceis de entender?
E as palavras sinceras, mesmo que magoem, não são mais fáceis de perdoar?


Sempre escolhi acreditar na sinceridade.
E descobri o meu engano da pior maneira...






















Está Sol lá fora. É Primavera!
Que importa o meu engano?
 
Marina 17:11
14.3.08
Dia X

Dia de ser feliz não tem data marcada no calendário.

Não se é feliz por decreto.
 
Marina 03:03
9.3.08
Vertigem

























No ziguezague da estrada, às vezes, tenho vertigens.
E é como se o Mundo me fugisse debaixo dos pés.
Caminho atrás da multidão mas já não conheço os meus passos.
Tento encontrar-me, mas só consigo perder-me ainda mais...


Onde estou?

[Onde estás?]







Se calhar, quero mesmo perder-me... Sobretudo de mim.

[Encontra-me...]
 
Marina 02:07
5.3.08
Momentos


















Pediste-me:

"- Escreve um texto sobre estes momentos felizes.
Sobre estes dias que nos sorriem em troca de nada."


E eu, sem saber muito bem o que responder - porque há coisas que se sentem mas é tão difícil traduzir em palavras... - apenas sorri!
Sei que, mesmo que não tenhas visto os meus olhos, de certeza que entendeste o meu sorriso!

Sobre estes momentos, talvez escreva mais um dia...
Hoje deixo apenas este bocadinho de mim.
Um bocadinho feliz! =)
 
Marina 23:48
26.2.08
Falling Slowly
















I don't know you
But I want you
All the more for that
Words fall through me
And always fool me
And I can't react
And games that never amount
To more than they're meant
Will play themselves out

Take this sinking boat and point it home
We've still got time
Raise your hopeful voice you have a choice
You've made it now

Falling slowly, eyes that know me
And I can't go back
Moods that take me and erase me
And I'm painted black
You have suffered enough
And warred with yourself
It's time that you won

Take this sinking boat and point it home
We've still got time
Raise your hopeful voice you had a choice
You've made it now

Take this sinking boat and point it home
We've still got time
Raise your hopeful voice you had a choice
You've made it now
Falling slowly sing your melody
I'll sing along



[Obrigada por partilhares esta música comigo =)]
 
Marina 23:53
20.2.08
Votos de Silêncio


























Às vezes, perco o sentido às palavras.
Que, de tão afiadas, doem cá dentro como golpes de espada
e vão destruindo pequenos pedacinhos de ser...

Nestes momentos, melhor seria termos feito votos de silêncio.
 
Marina 01:44
4.2.08
Naquele instante...

























Bastam pequenos instantes. Instantes precisos que desviam o curso das nossas vidas.
Não podemos prevê-los. Geralmente não damos conta deles no momento exacto em que acontecem. Só mais tarde, ao olharmos para trás, nos apercebemos que foi mesmo naquele instante. Naquele preciso instante. Foi nesse instante exacto que tudo mudou.
E já não é possível voltar atrás... Não nos é permitido desfazer o instante, refazer o caminho. Porque o tempo não anda em contra-mão! E vamos avançando... Coleccionando pequenos instantes. Intimamente esperando que, num desses momentos exactos, tudo mude outra vez. E um instante - que poderia ser apenas mais um, insignificante, daqueles que passam sem nos apercebermos da sua existência - se torne num grande momento.
Basta um instante.
Mesmo muito pequeno. Um sentir. Um olhar. Um saber, mesmo que sem palavras para o definir.


Olho agora para trás. Foi nesse instante, eu sei... Nesse preciso momento.
Costumava olhar pela tua janela. Do lado de fora, conseguia sentir a tua presença. A transparência dos teus vidros deixava-me saber de ti.
Nesse instante em que passei na tua rua, a janela estava fechada. Não vi a luz do lado de dentro...
Foi nesse instante. Nesse preciso momento. Soube que tudo tinha mudado.
A janela estava fechada.
Tu não deste conta que eu passei. E eu não senti a tua presença...




Tive saudades...
 
Marina 18:27
29.1.08
Murmúrio


















Contei-te, ó mar, o meu segredo.
Falei baixinho, devagar.
O meu murmúrio confundiu-se no teu.
E o meu sal misturou-se com o das tuas ondas.
E as minhas lágrimas não foram mais do que os teus salpicos no meu rosto...

E dissolvi-me em ti.
E só ficaram as palavras murmuradas.

Ecos de mim...
 
Marina 01:36
15.1.08
O meu blog é melhor que o Cristiano Ronaldo! =)

Eu sei que este título não é nada modesto, mas é a mais pura das verdades.
Pois dizem, por aí, que o rapaz, se estiver parado não rende.

Eu tenho cá para mim que não é bem assim mas… Pronto, isso seria outra conversa!
Ora, é óbvio que o meu cantinho internético é efectivamente melhor!

Quer dizer, não é que ele tenha estado mesmo mesmo mesmo parado…
Mas já há cerca de 2 meses que tem andado assim, devagarinho, e tem rendido que se farta! =)
Se não, vamos cá ver em jeito de balanço:

- A Olho Azul, que partilha comigo o facto de gostar da disciplina mais fantástica e extraordinária (que nem vale a pena referir, claro!), disse que eu sou uma mulher que faz pensar!













[Devo acrescentar que, às vezes,os meus alunos também dizem o mesmo! Só não sei é se eles me davam um prémio por isso… hmmmmmmmmm… Até acho que sim!]

- Por outro lado, a Bell diz que aqui o estaminé até que nem é um mau blog. Pronto, é certo que ela também não diz que é, propriamente, bom, mas sempre é melhor que nada!



















Desde já o meu agradecimento às meninas que me nomearam.
Se alguém tiver mais prémios para oferecer, o cantinho internético encontra-se novamente em funcionamento, é só deixar o aviso de recepção que eu depois vou levantar a encomenda! Eh eh
[Desculpem se houve algum recado que eu não tenha visto, mas têm de compreender que nos últimos meses estes meus pobres neurónios não deram para mais…]


Eu nem me atrevo a nomear ninguém, pois não já todos devem ter sido nomeados, no mínimo, um milhão de vezes…

Uma boa semana! =)

Acho que ainda tenho para fazer uma tarefa que tem a ver com uns livros…

Descansem as meninas que me nomearam que já está na agenda!
Aliás, lamento informar mas desde que fui desafiada pela IM (9 de Novembro??? Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii) o livro em cima da mesa de cabeceira continua a ser o mesmo… E não me lembro de ter lido, nestes 2 meses, uma única linha… :-(
 
Marina 00:13
11.1.08
||











Se hoje aqui viesse escrever,

ou diria o que não quero,
ou falaria do que não sinto...


Prefiro ficar em pausa...
 
Marina 22:23
7.1.08
Vontades secretas
















Tenho vontade de escrever-te.

Sem preconceitos. Sem vergonha. Sem medo.

Será esta hora a melhor?
Gostava que isso não fosse importante.
Escrever-te sem pensar...

Quero falar-te daquela dor que não desaparece.
[Mesmo sabendo que não consegues fazê-la ir embora...]

E do sorriso das pessoas especiais. =)

[E do teu, também!]

E das incertezas nas minhas decisões. E das muitas indecisões.

E do Mundo.


Gostava de ter a certeza de que irias sentir-me quando me lesses.
Que se as palavras fossem tristes, irias chorar comigo, desse lado.
[Mesmo que eu nunca soubesse...]

Que tantas outras vezes sorririas das piadas! ;-)


Queria tanto que às vezes me escrevesses...

Que me dissesses o que pensas. O que sentes.

Do que te digo. Do que não te digo.

Do que não tem nada a ver comigo.

Da vida.

Da morte [porque não?].

Gostava que não tivesses cuidado com as palavras.

Que queria sentir-te. Assim. Por inteiro.

Gostava que às vezes te sentasses comigo naquele banco de jardim.

Ou em outro banco. Em outro jardim.

Que filosofasses comigo. Talvez à beira-mar?

E que às vezes ficássemos em silêncio.

[Escuta o mar da tua cabeça...]

Mas que os silêncios não doessem.


Gostava que lesses estas linhas que agora te escrevo.
Que as guardasses contigo. Mesmo sem nada dizeres.

Que te fizessem sentir.

Que te fizessem sentir-me.

E assim soubesses que são estas as minhas vontades.



Talvez um dia te escreva [outra vez]...




 
Marina 00:15
5.1.08
Muitas folhas...










Foram muitas folhas...
Mas 771 dias e 220 páginas depois de um início longínquo e um percurso atribulado, a minha tese está entregue! =)

Muito obrigada a todos os que nestes dois anos estiveram do meu lado.
Por muito que eu vos agradeça, nunca será suficiente.


Bom fim-de-semana!



[Agora que já escrevi um livro, o próximo objectivo será plantar a árvore. Ou, tendo em conta a quantidade de folhas que gastei para escrever esta tese, será melhor plantar toda uma floresta...]
 
Marina 02:01
27.12.07
Planos
















Fizemos os planos.

Impusemos os pontos que os definem.

O ponto de partida. O ponto de chegada.


Precisávamos de mais um ponto: escolhemos o ponto de vista.

Mas são tantos os pontos de vista!

E nem todos fazem parte do mesmo plano...


De repente, um certo ponto de vista torna-se num ponto de interrogação.
E questionamos os planos.

E as rectas. E as rotas.

E os caminhos que percorremos.

E as escolhas que fizemos.


E deixamos de definir os planos.

Já não sabemos onde ficou o ponto de partida.

Não vemos o ponto onde pensámos chegar.


Ficamos com os pontos de vista.


Existimos.

Num ponto.

Só.


[E tentamos continuar a viagem...]
 
Marina 18:16