14 de Julho de 2009




















Disseste-me, um dia, que podíamos distinguir as fotografias simplesmente "normais" das fotografias"extraordinárias" pelo que estas últimas nos fazem sentir.

Ontem fui ver uns retratos por aqui.
Fotografias. Algumas normais, outras verdadeiramente extraordinárias, que me fizeram uma certa comichão na alma.
Ontem lembrei-me de ti e daquelas palavras que um dia me disseste.

Talvez tivesses gostado de vir.
Talvez até tenhas vindo, em outro dia ou em outra hora, mas os nossos caminhos não se cruzaram...
Talvez não te lembres das palavras, ou simplesmente nunca entendeste necessário voltar a partilhá-las.
Talvez nem te lembres de mim...

Afinal, há muitas coisas que já deves ter esquecido.
 
7 de Julho de 2009




Todos os sábados, desde Setembro, para ir ao meu cursinho de LGP, tenho de me deslocar ao número 157 da Avenida da Liberdade.
Todos, que é como quem diz, exceptuando esses agradáveis feriados ao sábado como o 25 de Abril e o dia de Sto António!

(NOTA: Para quem acha que um feriado ao sábado não tem valor, inscreva-se num curso que dura todos os sábados de Setembro até ao final de Julho!)
Bem, mas adiante, que não é esta a questão.
Como de transportes públicos demoro o triplo do tempo, costumo deslocar-me, para lá, no meu veículo, também conhecido como Cliozito Voador ou Carro Avião!
Para quem possa não saber, a Avenida da Liberdade é aquela grande que os professores descem (ou sobem) em dias de manifestação. Por ser grande e central, o estacionamento é raro e paga-se a preço de ouro, sendo, mesmo assim, mais barato que nos parques existentes nas redondezas.
Mas pronto, também não é aqui que quero chegar.
Ao longo da Avenida, podemos encontrar diversos senhores da EMEL, que não hesitam em deixar um envelope (com palavras carinhosas, palpita-me!)a quem não tenha o parquímetro pago até ao segundo em que eles lá passam ou cujas rodas pisem 1 milímetro do passeio que, ainda por cima, tem um lancil bastante baixo. Podemos encontrar ainda alguns polícias que me parecem vaguear pela avenida sem direcção definida mas que, pelo menos, dão a sensação de segurança que se pretende para uma zona frequentada como aquela.
Mas, mais uma vez, não é isso que me incomoda.
Qual é, pois então, o problema?
É que, sensivelmente desde o início de Junho, podemos encontrar também, ao longo da Avenida, diversos "arrumadores de carros". Ou melhor, chamemos-lhe antes "senhores que pedem dinheiro a quem deseje estacionar", uma vez que, na minha modesta opinião, para ser "arrumador de carros" é suposto arrumá-los, certo?
Assim, para além dos 3 euros que pago por ter o carro estacionado, ainda tenho de dar uma moedita ao senhor que me apanhar primeiro.
E eu até acato a ideia de pagar o estacionamento – afinal, mesmo que me custe, estou a pagar um serviço. Mas ainda não percebi qual o serviço que o tal “arrumador” me presta para me vir pedir uma moeda.
Afinal de contas, quem encontra o lugar sou eu, quem estaciona o carro sou eu e quem toma conta dele sou eu!!!
Ainda no outro sábado, estava eu a tentar estacionar sem pisar o referido lancil bastante baixo e, enquanto fazia as manobras, vem uma dessas criaturas a correr a grande velocidade, aproveitando a minha demora e, em vez de me ajudar a estacionar, optou por me segurar a porta do carro com ar de cavalheiro enquanto eu saía para ver se a roda de trás ainda pisava o tal milímetro de passeio.
E, note-se, uma mão segurava a porta do carro e a outra mãozinha estava estendida!!!
Pois que lhe dei 50 cêntimos, não fosse ele ficar chateado e ocorrerem-lhe maus pensamentos, coisa que achei melhor evitar.

Sugeri-lhe que fosse ao cafezinho, mesmo acima, beber um café. Mas só um que isto da tensão alta é uma coisa complicada…
E assim, pelo menos, durante o tempo do cafezito, poderiam estar alguns condutores descansados!
Pensei ainda sugerir-lhe, tal a velocidade com que se deslocou até mim, que tentasse uma carreira no atletismo mas achei mellhor terminar a conversa assim.


Mas há ainda uma outra coisa que me escapa nesta história: será que os arrumadores de carros são como os amigos imaginários?
É que me parece que nem a polícia nem os senhores da EMEL os vêem…
E, tendo em conta, a quantidade de envelopezinhos brancos espalhados pela rua, não será, por certo, devido a falta de vista.
 
2 de Julho de 2009




É obrigatório.
Direi mais, é urgente.
URGENTE!!!
É obrigatório e urgente comunicar!



















Mas há pessoas que não compreendem os sinais...
 
29 de Junho de 2009



















Hoje queria ter o poder em mim para apagar todas as marcas.
Todos os traços que em tempos nos ligaram e que agora não passam de pó.
Pó corrosivo, que queima a pele e a alma...

Hoje ficam apenas as memórias e as cicatrizes das lutas que travámos.
De nós, nada mais ficou.


E as memórias, apenas servem para ferir ainda mais...



Porquê?
 
26 de Junho de 2009




(ou como a minha Escola prepara os seus professores e alunos para o Verão)

A minha escola é daquelas antigas. Muito antigas.
Cheias de cantos e recantos, portas, portões e portinholas, cujas chaves só alguns iluminados conhecem, arrecadações onde não se sabe muito bem o que existe nem há quanto tempo existe.
Cheia de vícios, muitos deles tão escondidos como as coisas.

Cheia de enredos e boatos, que se perpetuam ecoando nas paredes (e nas más línguas!).
Cheia de salas que dão para outros corredores onde existem salinhas, saletas e cubículos.
E os laboratórios não fogem à regra.
O molho de chaves para abrir todas as portas correspondentes ao laboratório de química, tenho para mim que deve pesar mais de uma tonelada. Vale-me a minha estimada colega que costuma ir buscá-las - todos bem sabem que sou uma rapariga fraquinha.
No referido laboratório existem milhares, talvez milhões, de frascos cheios de substâncias das mais diversas texturas e cores, que deverão ter, no mínimo, a idade da escola. Muitos deles vazios, partidos, sem etiquetas e com aspecto duvidoso.

A camada de pó que os cobre é mais espessa do que a neve da Serra da Estrela em pleno Inverno, o que revela bem a falta de utilização que têm. Até porque a chave do laboratório é uma daquelas reservadas a iluminados.
Mas adiante. Foi nesta actividade de limpeza, nunca antes vista, que eu e a outra colega, felizes contempladas, passámos a tarde de hoje. A inventar um inventário. Coisa nova naquelas paragens, ao contrário de tudo o mais que por lá existe…
Mais uma tarde... À qual se seguirão, definitivamente, mais…
Quando, já bastante cansadas, especialmente porque isto de andar uma tarde inteira de bata e luvas, com estas temperaturas, não é particularmente agradável, eis que nos preparávamos para lanchar.
Enquanto nos dirigíamos ao bar, já sentíamos, no nosso cérebro, o cheirinho do café, do pão e dos croissants!
Mas, qual não é o nosso espanto, quando descobrimos que o bar da escola está, a partir de hoje, parcialmente fechado para férias, só funcionando até as 15h.


Quer dizer, nem sei porque me apeteceu falar nisto, afinal até não é muito grave...
É só porque me palpita que quem tenha tomado a decisão de encerrar o bar não frequente a escola nas mesmas horas do que eu (e muitos outros como eu…).

Que isto de ter aulas até as 22h30 ou, em outros dias, até as 23h15 é só para alguns.
Sim, é verdade, eu até já sei que estou mais gorda. É um facto inegável.
Deve ser, provavelmente, por passar muitas horas sem nada fazer – pois todos sabemos que vida de professor é coisa boa.
E é por isso que venho aqui agradecer publicamente este esforço que a escola está a fazer para colocar os professores preguiçosos (como eu!) na linha.

No dia 17 de Julho, quando terminarem as aulas, aposto que estamos todos muito mais em forma para frequentarmos as praias por esse país fora e, eventualmente, pelo Mundo.
E quanto aos muitos alunos das turmas da noite, acho muito bem que agradeçam também.
Afinal, eles não sabiam que estavam inscritos num curso de Novas Oportunidades?
Quem sabe, assim, não têm oportunidade de seguirem carreiras no mundo da moda.
Tenho cá para mim que foi nisso que os chefes da minha escola pensaram.
Aqueles senhores antigos. Muito antigos. Como a escola.
Cujos cérebros, cheios de cantos e recantos, cheios de vícios escondidos, não se sabe bem se pensam nas coisas ou há quanto tempo deixaram de raciocinar.
 
24 de Junho de 2009




Nunca gostei muito de mudanças.
Nem a minha condição de professora itinerante me habitua a isso.
Mudar de casa, mudar de terra, mudar de escola, mudar…
Há qualquer coisa em mim que insiste em manter-me colada ao passado e às memórias.
Há já algum tempo que tinha decidido mudar o ar deste meu cantinho.
Fui preparando o terreno em mim, solidificando as ideias.
Já tinha programado que seria no dia em que fizesse 3 anos.
Afinal, já desde
Janeiro de 2007 que tinha o mesmo ar…
Talvez um bocado escuro e nocturno… como eu!
Bem, mas como já disse, não sou dada a mudanças.
Por isso, nunca actualizei o blog.
Sempre preferi o desafio de brincar com o html em vez da facilidade das novas janelas.
E agora, decidida a manter o modelo como sempre quis, descubro que há coisas que já não consigo mudar…
Procuro pela net os códigos que me faltam e já não os encontro.
Parece que toda a gente mudou…
Entre as aulas que ainda tenho (e terei...) e todo o outro trabalho, não me sobra muito tempo e os dias vão passando sem que consiga ajustar este cantinho à imagem que tinha formado, há algum tempo, no meu cérebro.
Ando às voltas e voltas e voltas… e nada.
No outro dia, num acto de desespero, actualizei para o modelo novo mas, apesar de tudo parecer fácil e simples, não me enche as medidas. Até porque não consegui perceber como mudar aqueles pormenores que fazem deste o “meu” cantinho internético.
E ele continua assim, a sobreviver, mas ligeiramente menos meu do que antes...

Por isso, é só para avisar que, enquanto este meu sítio não estiver como eu quero, estou rabugenta.
Direi mesmo, "com a telha*".

[* Bell, e esta, sabes de onde vem? ;-)]
 
21 de Junho de 2009




















Será que tem alguma coisa a ver com a minha ida recente ao Jardim Zoológico ou estará relacionada com a minha vontade de fugir a esta temperatura asfixiante que faz sentir em Lisboa?


Bom fim-de-semana!
 
16 de Junho de 2009




O segundo número primo e o segundo número triangular.
O número atómico do Lítio.
As Leis de Newton.
Os moscãoteiros que acompanhavam o Dartacão! =)
Os irmãos Bee Gees. E o trio Odemira...

Os filmes da trilogia do Senhor dos Anéis.
As pessoas lá de casa.
Os gatos lá de casa até há pouco tempo…
A minha porta, em Aveiro.
O meu andar, em Torres Vedras.
A nossa ordem, contando a partir do Sol.
O número de translações da Terra desde que comecei a escrever por aqui.


Ah, é verdade mas já passa da meia-noite...
Mas não faz mal! A Terra anda devagarinho! =)


Mais uma vez, obrigada a todos (e, felizmente, são muito mais do que 3!) que têm sido a minha companhia internética por aqui.
Que cuidar deste cantinho sozinha, seria muito mais difícil!

Boa semana!
 
12 de Junho de 2009





























Procura-se um amigo.
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração.
Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.
Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa.
Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.
Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo.
Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados.
Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar.
Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa.
Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo.
Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.
Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo.
Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância.
Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.
Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.
Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.
Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.
Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Vinicius de Moraes



Precisa-se de um amigo... mas um que o seja de verdade e que não faça de conta que o é apenas por acto de caridade ou por outra qualquer razão desconhecida.
Que pior do que perder um amigo, é apercebermo-nos de que aquela pessoa nunca o foi.
Porque aí, as memórias do que foram bons momentos, tornam-se pequenas grande torturas que nos corroem a alma...
 
11 de Junho de 2009





























Será o facto de a minha escola ter a mesma idade do que o Jardim Zoológico que a torna tão parecida a uma selva???


 
4 de Junho de 2009
































Assusta-me esta fragilidade que nos é intrínseca.
Esta atracção fatal e inevitável que temos pelo abismo.
Um dia, virá uma onda que será demasiado grande e nos arrastará pela água...
Até lá, apenas podemos esperar tentando permanecer de pé e, se conseguirmos, deixarmo-nos iludir pela canção de embalar das ondas e sorrir.







Breakable - Ingrid Michaelson
 
28 de Maio de 2009




Opção A - Bica no café da esquina: 55-65 cêntimos
Opção B - Medir a tensão arterial na farmácia do bairro: 50 cêntimos

Está decidido, daqui para a frente vou escolher a opção B.
Tendo em conta a poupança, já me estou a imaginar milionária! =)


Bem, pelo menos acho que com o dinheiro dos cafés que bebia consigo rapidamente poupar para comprar um medidor de tensão... :S
 
25 de Maio de 2009





















É na indefinição do horizonte que arrisco adivinhar o que não vejo.

E é aí, entre o sonho e a loucura, que tudo é possível!

Boa semana!

 
17 de Maio de 2009




Sempre que penso em ti, vem-me à memória a alegria com que, em miúda, esperava as tuas visitas. Não sei se sabes, mas sempre foste o meu preferido!
Uma das vezes, de tão depressa que ia para casa para te ver, caí da bicicleta e foste tu que tiveste de me levar ao Hospital. A correria valeu-me cinco pontos num lábio e estive uma semana sem conseguir comer... Mas, se era por ti, valia a pena!
Era nisso que pensava há pouco, enquanto atravessava a ponte, de regresso a casa.
Trazias-me de Lisboa os presentes mais espectaculares, coisas que ninguém tinha lá na rua. Lembro-me de quando me deste a minha primeira máquina de calcular científica e eu achei que era o presente mais fixe que alguma vez tinha recebido!
Ainda guardo os postais que me enviaste de tantos lugares. Lembro-me, em particular, de um da Madeira, com o fogo-de-artifício da passagem de ano. Não sei porquê…
Tinhas uma letra bonita e escrevias Marina com um “M” que me fazia lembrar a letra da minha mãe.
Detestava o teu bigode. Dizia-te, em pequena, que um dia, enquanto dormisses, iria cortá-lo sem que desses conta! Estranho, nestes últimos tempos, era a falta que mais estranhava em ti…
Nem sempre estávamos de acordo, eu sei. Eras de ideias fixas. Eu também.
Quando te disse que me tinha inscrito num mestrado, achaste que era um perfeito disparate.

Mas foste tu que, no primeiro dia, me foste esperar à Estação de Santa Apolónia. Emprestaste-me a tua casa para dormir e fazias-me o jantar. Nunca te disse que não gostava de lulas…
No final, quiseste estar presente no dia em que defendi a minha tese. E, tenho a certeza, tiveste orgulho em mim.
Lembro-me que, há pouco tempo, já muito doente, esperaste por mim durante horas enquanto eu não saí do Hospital. É que quando eu, ainda meia inconsciente, estava deitada no chão, foste tu que eu pedi para chamarem…
Neste dia, são tantas estas pequenas coisas de que me lembro.
Escrevê-las, é mais uma maneira de lembrar-te. Como se esquecer-te fosse possível...
Hoje ficam apenas as lembranças.
E as rosas. Para ti.



 




Nesta tarde deste dia decidi ter tempo. Desmarquei compromissos, deixei tarefas para depois.
Entreguei-me ao prazer, há tanto adiado, de me permitir escolher o ritmo com que fui caminhando. Sem horas marcadas. Sem agenda.
Comecei por escrever umas mensagens de Parabéns e partilhar umas fotos com uma amiga que acabou de chegar de férias.
Fui trocando 2 dedos de conversa (ou terão sido 2 mãos?), com aqueles que, como eu, cruzaram o computador nesta tarde. Há quanto tempo não tinha tanto tempo para conversas…
Algumas das palavras fizeram-me chorar, mas ninguém soube. A culpa foi das saudades…
Li umas páginas de um livro (que estou quase a terminar) e adormeci, de cansaço, no sofá.
Quando acordei, fiz uma lista de compras - dizem que é essencial para não gastar dinheiro a mais – e saí de casa. No supermercado, estavam todos com pressa. A lembrarem-me de mim em outros dias. Hoje não, hoje decidi ter tempo.
Quando voltei ainda acabei de escrever um postal que enviarei para o outro lado do Atlântico. Que apesar de todas tecnologias que nos permitem encurtar distâncias, não há como receber um postal! A mim, deixa-me sempre com um sorriso!

De seguida, embrulhei um presente e escrevi uma dedicatória.
Ainda procurei um texto para dedicar a uma amiga num dia especial que se aproxima. Enquanto o procurava, fui-me lembrando de outros tempos, de outros caminhos, outrora mais partilhados do que hoje. Talvez um dia. Talvez…
Enquanto saboreava as palavras do poema, a caneta (especial, tal como exige a ocasião) falhou…
E foi aí que, nessa pausa forçada, troquei a caneta pelo computador e vim escrever este texto.
Pelo meio fui espreitando a televisão, coisa também rara nos meus dias que correm sempre velozes, mesmo aos sábados.
Aqui ao lado, os outros livros, os cadernos e as capas olham-me de soslaio, admirados do meu abandono.
Eles não sabem mas hoje, eu escolhi ter tempo. Outro tempo.

Bom fim-de-semana!
 
14 de Maio de 2009




Às vezes trago em mim tantos remoinhos e vendavais...
























Dariam para pôr em movimento toda uma central eólica.
 
8 de Maio de 2009




Às vezes, quantos mais somos, menos conseguimos fazer...
 
5 de Maio de 2009




Senhoras e Senhores, Meninas e Meninos,
a dona deste estaminé internético orgulha-se de apresentar...

o mais recente membro da família felina lá de casa! =)














Ainda não tem nome, mas espero encontrar um nome bonito depressa, antes que o meu pai se lembre de ter ideias...
 
2 de Maio de 2009




De vez em quando, acordo com uma crise que me compele para fazer limpezas.
Assim foi hoje. Aproveitando o tempo a correr mais devagar neste feriado, decidi começar o meu dia com uma limpeza geral, daquelas mesmo gerais, em que se tira tudo dos roupeiros e das prateleiras, em que se lavam tapetes e cortinas.
Mas quando iniciei hoje, pela manhã, a árdua tarefa das limpezas domésticas, mal podia imaginar o difícil enigma que teria para resolver.
Encontrava-me eu a limpar a despensa e a seleccionar criteriosamente as coisas que deveria guardar e as que deveria deitar fora, quando encontrei, num cantinho de uma prateleira, um restinho de milho para pipocas.















De imediato surgiram na minha mente diversas questões:
- Terá este milho uma validade ilimitada, uma vez que o dia 31 de Setembro de 2008 nunca chegará?
- Será que este milho foi importado de um país em que o mês de Setembro tem 31 dias?
- Será que sou eu que estou a ler a data ao contrário, sendo que este milho está próprio para consumo até dia 08 de Setembro de 2031?


Para um cérebro cansado e taralhouco como meu, são demasiadas questões para um dia só.
Acho que tenho de ir dormir sobre o assunto.
 
30 de Abril de 2009




Ontem vi “A Turma” com uma das minhas turmas.
Aliás, vi apenas alguns bocadinhos de filme, uma vez que durante o tempo restante estive a ver a minha turma.
9 miúdos que me desviaram a atenção do filme mais vezes do que gostaria. Apenas 9…
9 miúdos, com histórias difíceis.
Desde que, há uns meses, chegou ao cinema, tinha pensado ver este filme, na esperança de aprender qualquer coisa com ele.
Ideias, estratégias, sei lá, qualquer coisinha pequena que pudesse melhorar um bocadinho a minha maneira de lidar com estes miúdos.
Ontem vi, finalmente, o filme.

Qualquer uma das minhas aulas (que eu até considero correrem relativamente bem, perante alguns relatos que ouço nos corredores e nos Conselhos de Turma semanais) tem mais acção do que todo o filme. Bem, pelo menos, tendo em conta os bocadinhos de filme que fui espreitando...

Mas depois do desalento de quem caiu em Outubro numa escola complicada, estes miúdos já vão sendo os meus miúdos.
E a Senhora do Bar (que tem um nome difícil do qual eu agora não me lembro) já me guarda os croissants - sem nada lá dentro, ela sabe! - e tira-me sempre o café cheio, mesmo quando me esqueço de pedir.

E quando, como hoje, saio da escola a horas em que já não há porteiro, a Dª Idalina vai abrir-me o portão. “Para que a menina não tenha de voltar atrás para entregar o comando”, diz-me ela enquanto me acompanha.






















Apesar das nuvens, vê-se a ponte e sonha-se com uma outra margem.
Afinal, hoje há gaivotas no telhado da frente e uma luz dourada que dá
um toque especial no Cristo Rei.
 
27 de Abril de 2009




Não sei bem o que me sufoca.
Mas, a cada momento, sinto apertar o nó sobre a minha garganta.
Comprimindo, asfixiando, segundo após segundo...
E é como se me doesse tudo e não sentisse nada ao mesmo tempo.
É como se esta dor existisse sem poder existir,
Como se fosse proibida pelas leis da Natureza.
É como se esta dor não pudesse ser real.
Afinal, o que confere às coisas e às dores esse estatuto de realidade?
É como uma atracção inevitável para o abismo,

Espiral que me afasta do chão que não me prende...

Talvez seja da largura dos horizontes que me induzem na vertigem da queda.
Talvez seja da solidão do silêncio que me desorienta e me confunde.
Pede-me o corpo este silêncio, mas falta-me a cidade a correr nas veias,
A percorrer as artérias que alimentam o meu ser.
Aqui, apenas eu, os gatos e as flores.
E os ecos dos meus pensamentos em mim.



 
19 de Abril de 2009




Entrei na sapataria para ir buscar um par de sapatos previamente encomendado.
Enquanto a funcionária se deslocou ao armazém para ir buscar os referidos sapatos, aguardei junto à caixa e foi então que ouvi o seguinte diálogo entre dois rapazes que se passeavam pela loja.
- Um dia temos de experimentar aquecer.
- Aquecer? Achas?
- Sim, se aquecermos deverá ficar bom.
- Mas, aquecer para quê?
- Então, para ficar como o feijão. Se reparares, quando abres uma lata de feijão cozido, o aspecto é bastante semelhante ao das latas de Whiskas. Se aqueceres e temperares como fazes com o feijão, provavelmente, também saberá bem. Eu quero mesmo experimentar!

Os dois rapazes deslocaram-se para outra parte da loja continuando a conversa e eu fiquei a
rir, meia incrédula, tal como outra cliente que se encontrava à minha beira.

Dou comigo a pensar se já alguém terá arriscado uma “Uiscada de marisco” ou, talvez, “Uiscada à transmontana”. Quem sabe se, caso chegassem ao público, não se tornariam estes em pratos populares! Quem sabe, a serem incluídos em roteiros gastronómicos. Quem sabe...
Não, vamos lá esquecer esta alucinação.
Será de mim? Serei eu mesmo esquisita com a comida? Ou Whiskas não é definitivamente uma escolha normal para um ser humano?

Contei ao meu gato, e vejam como ficou!



























Restinho de bom Domingo e uma semana em grande!

NOTA: Em agradecimento à publicidade gratuita, penso que os senhores da referida marca poderiam fornecer qualquer coisinha para eu alimentar a família felina cá de casa e os gatos seus amigos!
Enfim, é só uma ideia que me ocorreu.
Eles sim, iriam gostar de certeza! ;-)


 
13 de Abril de 2009





















Após algumas voltas e rodopios - como se de uma dança se tratasse - ousou pousar (e posar!) para mim!

Podia chamar-lhe Cartaxo-comum. [Obrigada, Pedro, pelo esclarecimento!]
Mas em latim tem um ar muito mais distinto!


Boa semana!

NOTA: Aceita-se ajuda de quem me ensinar a colocar o texto do título em itálico... :-(
 
7 de Abril de 2009





Não costumo fazer planos.
Até porque, quando os faço, a vida se encarrega, quase sempre, de me mostrar que as coisas raramente dependem apenas da minha vontade.
E se, porventura, num rasgo de insanidade, ouso fazê-los, desobedeço-me quase de imediato

Sou péssima a cumprir horários e calendários, e confesso que isso até me faz sorrir. Como se essa minha rebeldia me tornasse mais livre.
Ilusão, pois. Que seja! Valem-me os sorrisos! Ou talvez seja apenas uma maneira de me desculpar dos meus atrasos…
Não costumo fazer esboços, nem rascunhos.
Aqui, neste meu canto, neste meu outro lado, escrevo o que fica do que vejo, do que penso, das voltas que dão (e que me trazem) as palavras e os olhares.
Que eu sou uma contadora de histórias! Das minhas, claro. E vou deixando, por aí, pedacinhos de mim. E daqueles que cruzam comigo, nem que apenas por instantes, e que vão deixando marcas nos meus mundos.
É por isso que neste meu refúgio dos dias, entre a grande cidade, onde correm velozes, e a calma do meu Oeste, fica quase sempre o que sinto. A quente. No momento.
Às vezes quente de mais… Às vezes a deixar ver o que, de mim, nem eu própria conheço.
E é à noite que gosto de escrever. De escrever-me. De mim para mim. E para quem arrisca entrar nestes meus Universos, ora cheios de luz, ora presos por qualquer tristeza de um sentir que me cruzou o olhar...
Sim, gosto da noite. Como se a noite deixasse fluir melhor o emaranhado de palavras que vive em mim. Bem dentro. Onde quase ninguém chega.
E hoje, ao correr dos dedos que percorrem as letras, quase sem pensar, deixei fugir este devaneio. Um suspiro entre dois pensamentos. Esta história que não o é.
Talvez volte em breve. Quando um ou outro sentir tropece em mim. E as palavras roubem um bocadinho da minha alma um outro devaneio nasça dos meus dedos. E de repente, existirão mais pedacinhos, mais histórias e sentires, à solta por aí...

Sim, talvez!
Em breve, numa outra noite qualquer.
 
29 de Março de 2009




"Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas.
Os livros só mudam as pessoas."


Mário Quintana



A frase, encontrei-a enquanto passeava aqui.

A foto, veio rapidamente à minha memória.
Lembrança de um dia de passeio pelas praias do Oeste, tirada na Foz do Sizandro, numa tarde de vento...
















O livro que seguro com o polegar, "Breve história de quase tudo", de Bill Bryson, é um dos que ainda hoje me acompanha na mesa de cabeceira.

Sugestão: para esta noite, mesmo antes de adormecer, nada melhor que uma leitura.
Esta ou outra qualquer - que gostos não se discutem.


Boa semana!
 
27 de Março de 2009




















Como me custam
os olhares que não trocamos,
os poemas que não te faço,

as perguntas que ficam por fazer.

Pudéssemos nós nascer de novo...
 
21 de Março de 2009




























acordar um pouquinho mais tarde do que é costume.
um telefonema simpático 5 minutos depois.
o pequeno-almoço salpicado de conversas com o meu pai.
passar a manhã a cuidar de mim.
pôr-me a caminho num dia cheio de luz.
ficar feliz por me perder e ter oportunidade de contemplar uma bela paisagem.
encontrar um caminho certo.
celebrar a chegada da primavera.
um almoço partilhado.
muitas conversas partilhadas.
os abraços dos meus alunos. serão sempre meus alunos…
mais sorrisos. mais mimos. mais sorrisos!
uma viagem até à praia.
um lanche entre 2 dedos de conversa.
comprar um presente para mim, há muito adiado.
redescobrir uma cidade que não visitava há muito tempo.
uma conversa com um estrangeiro sobre fotografias bonitas.
mais sorrisos!
o conforto de chegar à "minha" cidade.
um jantar com amigos.
a cumplicidade das conversas e dos olhares.
a partilha das tarefas.
a alegria de transformar ideias em realidades.
mais sorrisos!
um chá de frutos numa mesa simpática temperado com mel e com mais
dois dedos de conversa.
a vista sobre a serra.
o regresso a casa pela estrada do costume.
uma música que gosto a tocar na rádio.
mais sorrisos!
o conforto do meu sofá.
adormecer de cansaço antes de conseguir publicar estas linhas, que ficaram a ecoar em mim…
decidir partilhá-las com o Mundo neste sábado cheio de Sol.


Bom fim-de-semana! =)
 
20 de Março de 2009




Consegues ouvir
a musica que enche o meu Mundo?
(A música com que enches o meu Mundo?)

Consegues sentir
o ritmo que bate no meu peito?

Se ao menos chegasses mais perto...


























E que melhor maneira de comemorar o regresso da minha máquina fotográfica a casa, depois de quase 3 meses e meio de ausência, do que uma fotografia da minha orquídea?
Linda, não está? ;-)
 
15 de Março de 2009




Cinco dias depois, eis chegado o momento de revelar os resultados.

As mentiras:
Em primeiro lugar, para não vos matar mais de curiosidade, as mentiras.

1 – Nasci nas Caldas da Rainha, mas dentro do Hospital! Diz a minha mãe que não fomos de ambulância mas de táxi. O meu pai, estava a trabalhar, e só nos foi visitar já eu estava cá fora!

4 – Eu DETESTO que me mexam no cabelo. Fico mesmo furiosa!
Quando era pequena, fiz para cima de um milhão de birras para me pentearem em casa e para ir ao cabeleireiro. Odiava igualmente toda a espécie de fitas, ganchos, molinhas, laçarotes e travessões. Agora, apesar de não berrar a plenos pulmões, é coisa que não me agrada particularmente...


9 – Não faço ideia se gosto ou não do ET. Eu nunca vi o ET!!!
Também nunca vi nenhum dos clássicos… Nem o Indiana Jones, nem o Alien, nem o Parque Jurássico, nem… Digamos que só mais recentemente é que ando mais dada a artes cinematográficas!


E parece que ninguém acertou nestas 3…
Com duas respostas certas temos: a Bell, o meu anónimo tomarense preferido, a Filipa Pipita Chipmix, a professorinha Andreia e mana Barriguita assim como a miúda Angelical (em associação com o meu respectivo primo).
Finalmente, com apenas uma resposta certa temos: a Pa-ciência, a IM e a Ana Rita (dizer só uma e acertar, foi uma grande pontaria!)

As verdades absolutas:
2 –
É verdade, tinha um enorme fascínio pela letra X e adorava passar em Alcobaça na rua do medico que fazia os raios-X, que tinha montes de “X” espalhados na entrada.
E, diz quem sabe, que eu gritava a plenos pulmões: “Olhó XXXXXXXXXXXXXXXXXX!!!!!!
Devo dizer que aprendi esta letra graças ao meu fogão da altura, cuja marca era JuneX EXcelsa!

3 – Pois, apesar de um bocado paranóico, era verdade…
Ainda hoje olhei para o relógio eram exactamente 11h11 da manhã e isso me fez sorrir! Coisas de quem sempre teve uma costela com tendências matemáticas.

6 – Sim, já estive num comboio que descarrilou e não ganhei para o susto… Felizmente, ninguém se magoou.
Não foi em S. Martinho mas nos arredores de Roma, há alguns anos atrás.

7 – Pois parece que já são mesmo 7… A última vez foi na escola, há cerca de 2 meses atrás, em consequência da ida ao dentista para extrair o siso. Dia de Reunião Geral, que eu gosto de ter público para estes teatros.

8 – Esta era fácil, toda a gente acreditou. Durante cerca de 2 anos e meio, foi no ITN (Instituto Tecnológico Nuclear), em Sacavém, que passei grande parte do tempo em que estava fora da escola. Uma espécie de 3ª casa.

A frase assim-assim:
- "Ah, e tal, ela esqueceu-se da 5", já estão todos a pensar!
- "Que vergonha, é professora e nem sabe contar!"
Pois… Não é bem isso…

Eis que ontem, após uma longa tertúlia familiar, cheguei à conclusão que há alguma probabilidade da frase número 5 também não ser verdade. Até estou envergonhada...

Ponto número um: No pão não ponho mesmo nada, pelo que não uso manteiga, fiambre ou quaisquer outras substâncias. Isso é verdade verdadíssima.
Ponto número dois: Raramente faço fritos, e quando frito uso sempre azeite.

Mas eis que fui encontrar no meu frigorífico uma embalagem “Vaqueiro” que, apesar de já não ter validade, poderei ter sido eu a comprar…
Tenho pois de admitir que a IM e a Angélica podem ter acertado nesta!

Assim, acertando nesta frase, o prémio (fabuloso!) vai para a Angélica (e respectivo João!).
Parece que vou ter de fazer um lanchinho para vocês nas férias… digo, interrupção das actividades lectivas!
[Cláudia Josefina, também queres um cafezito? ;-) Afinal de contas, a primeira a acertar em tudinho foste tu!]

E segundo ouvi ontem, na referida tertúlia familiar, parece que a Angélica está mortinha por experimentar o jogo! ;-)
Para ti, miúda angelical, vai este desafio direitinho!

E para todos vós, uma Boa Semana!
 
10 de Março de 2009




Dizem as regras do jogo (que recebi da Bell, minha fornecedora oficial de jogos, correntes e outras peças!) que terei de vos apresentar 9 afirmações, mas que apenas 3 das referidas não podem corresponder à verdade.
Será que vós, estimados visitantes, sois verdadeiros polígrafos?
Serei eu apanhada na teia de mentiras que construí?

Que o jogo comece!

1 - Nasci na ambulância, a caminho da maternidade das Caldas da Rainha
2 - Aos 2 anos, tinha um enorme fascínio pela letra X, a primeira letra que aprendi
3 - Quando era miúda procurava deitar-me todos os dias às 22h22 para ver os 4 números iguais

4 - Adoro que me mexam no cabelo
5 - Nunca comprei manteiga, margarina ou qualquer produto afim
6 - Já estive num comboio que descarrilou
7 - Já desmaiei 7 vezes
8 - Já trabalhei com substâncias radioactivas
9 - O meu filme preferido é o ET

Devo, desde já, referir que não tenho jeito nenhum para mentir, mas que dei o meu melhor! =)


E agora, quem se atreve? ;-)
 
5 de Março de 2009




Hoje andei por aqui e aconselho.